Proibir as bets no Brasil seria a solução?

O presidente Lula afirmou nos últimos dias de setembro de 2026 que, se depender de sua vontade, pretende acabar com as bets no Brasil. O principal argumento apresentado por ele envolve os problemas de ludopatia, endividamento e os impactos das apostas sobre as famílias brasileiras.

Montagem com Lula e a pergunta: proibir as bets seria a solução no Brasil?

Essa preocupação, de fato, não deve ser ignorada. O jogo problemático pode causar prejuízos financeiros, emocionais e sociais e precisa ser enfrentado com seriedade.

Mas será que acabar com as bets resolveria esse problema?

Mercado ilegal continua forte mesmo após a regulamentação

Desde janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) podem operar legalmente em todo o Brasil. Os sites autorizados precisam usar o domínio .bet.br e seguir uma série de regras estabelecidas pelo Ministério da Fazenda.

Ainda assim, as plataformas ilegais continuam movimentando uma parcela relevante do mercado.

Um estudo da LCA Consultores, baseado em pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva com 2.291 apostadores em maio de 2026 e encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), estima que entre 38% e 44% das apostas online feitas no Brasil ocorram em plataformas clandestinas.

Tabela de estatísticas do mercado ilegal de apostas no Brasil: participação estimada de 38% a 44%, segundo LCA, Locomotiva e IBJR em 2026.

Esse dado mostra não apenas que as bets ilegais continuam presentes no mercado brasileiro, mas que ainda concentram uma fatia entre pouco mais de um terço e quase metade do volume de apostas online no país.

Ou seja, retirar as casas regulamentadas do mercado não significa necessariamente fazer as apostas desaparecerem. As plataformas ilegais já existem, possuem usuários e continuam operando mesmo diante das restrições atuais.

Bets regulamentadas precisam seguir regras de Jogo Responsável

Entre o mercado legal e ilegal, existe uma grande diferença, pois as casas autorizadas pelo Ministério da Fazenda precisam cumprir regras destinadas justamente a reduzir alguns dos problemas citados por Lula.

Entre elas estão a possibilidade de o usuário estabelecer limites de apostas e depósitos, informações obrigatórias sobre os riscos do jogo, mecanismos de autoexclusão e medidas para identificar e prevenir comportamentos problemáticos.

Desde 2026, existe também uma plataforma centralizada de autoexclusão do governo. Por meio dela, uma pessoa pode bloquear de uma única vez suas contas em todas as casas de apostas autorizadas e impedir novos cadastros enquanto durar a exclusão. Ela também deixa de receber publicidade direcionada dessas empresas.

Mas existe uma diferença fundamental: o mercado regulamentado está sujeito a essas obrigações. O mercado clandestino, não.

Proibir as bets acabaria com a demanda?

Uma eventual proibição poderia levar parte dos apostadores a deixar de jogar, mas isso não significa que a demanda pelas apostas desapareceria. No Japão, onde apostar em cassinos online é ilegal, uma pesquisa realizada entre julho e outubro de 2024 e divulgada pela Agência Nacional de Polícia em 2025 estimou que cerca de 3,37 milhões de pessoas já haviam utilizado essas plataformas.

A China também mantém forte repressão às apostas ilegais. Mesmo assim, somente em 2024, as autoridades investigaram cerca de 73 mil casos relacionados a apostas transfronteiriças e crimes associados e derrubaram mais de 4.500 plataformas de jogo online.

No Brasil, esse risco merece ainda mais atenção porque o mercado clandestino já existe e movimenta uma parcela relevante das apostas. Caso parte da demanda continuasse ativa após uma eventual proibição, esses apostadores poderiam migrar justamente para plataformas que não estão submetidas às regras brasileiras de identificação, limites, autoexclusão, jogo responsável e fiscalização.

Combater os problemas das apostas exige mais do que proibir

Os problemas apontados pelo presidente Lula são reais. A ludopatia pode causar prejuízos financeiros graves e afetar as famílias brasileiras. A questão é saber qual caminho oferece maior proteção para quem aposta.

É verdade que a regulamentação atual ainda não resolve todos os problemas do setor. Entretanto, simplesmente retirar as empresas autorizadas não faria necessariamente a demanda por apostas online desaparecer.

Como vimos, o mercado ilegal já movimenta uma parcela relevante das apostas no Brasil e poderia continuar atendendo quem quisesse jogar em um cenário de proibição das bets, mas sem as mesmas obrigações de identificação, limites, autoexclusão e jogo responsável impostas às plataformas regulamentadas.

Verificador de Licença do Aposte Legalmente com consulta ao domínio bet365.bet.br, em captura de 21 de setembro de 2026.

Por isso, informação também é uma forma de proteção. No Aposte Legalmente, você pode usar o Verificador de Licença para conferir se uma casa de apostas está autorizada a operar no Brasil e evitar plataformas ilegais.