O governo federal ampliou o cerco contra plataformas de mercados de previsão no Brasil. A nova medida atinge empresas como Polymarket e Kalshi, que permitem apostas em eventos futuros, como eleições, esportes, realities, política e acontecimentos globais.

A medida foi reforçada pela Resolução nº 5.298 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que veda a oferta e a negociação, no país, de contratos derivativos ligados a eventos esportivos, políticos, sociais, culturais e de entretenimento.
O que são mercados de previsão?
Mercados de previsão são plataformas em que usuários compram e vendem posições baseadas na chance de um evento acontecer.
Na prática, o funcionamento pode se aproximar de uma aposta, já que o ganho depende do resultado de um evento futuro. Confira as principais características deste tipo de mercado:
- apostas em resultados de eventos;
- produtos que podem parecer investimentos;
- sistemas muito semelhantes às bets tradicionais.
Essas plataformas permitem negociações sobre temas variados, como política, esportes, economia e até acontecimentos globais.
Qual a diferença entre a Polymarket e as bets?
A principal diferença está no modelo de operação. Nas bets, o usuário aposta contra a própria plataforma, que define as odds. Já na Polymarket, os usuários operam entre si, com preços baseados na probabilidade de um evento acontecer.

Apesar dessa diferença técnica, autoridades entendem que o comportamento econômico é semelhante ao das apostas tradicionais, o que levou ao enquadramento dentro das novas regras do setor.
Por que plataformas como Polymarket foram afetadas
Plataformas de previsão como a Polymarket foram afetadas porque passaram a ser vistas pelas autoridades como uma forma de aposta baseada em eventos futuros, mesmo quando apresentadas como mercados financeiros ou de probabilidade.
Entre os principais pontos levantados estão:
- operação sem autorização específica no Brasil;
- ausência das mesmas exigências de compliance, fiscalização e prevenção à lavagem de dinheiro;
- risco de confusão para o consumidor entre investimento, especulação e aposta;
- concorrência desigual com operadores licenciados, que precisam cumprir regras regulatórias e fiscais.
Para o governo, o problema não está apenas no formato da plataforma, mas na função econômica do produto: se o usuário coloca dinheiro em um evento futuro esperando lucrar com o resultado, a atividade se aproxima das apostas tradicionais.
Por isso, a medida busca fechar brechas regulatórias e evitar que mercados de previsão operem como bets fora do ambiente licenciado.
Impacto para o mercado de apostas no Brasil
As novas medidas reforçam o movimento de consolidação do mercado regulado de apostas no Brasil. Ao restringir plataformas que operam em zonas cinzentas, o governo busca proteger o espaço dos operadores licenciados e reduzir a concorrência de empresas que atuam sem as mesmas exigências legais, fiscais e operacionais.
Entre os principais efeitos esperados desta medida estão:
- maior segurança jurídica para casas de apostas autorizadas;
- redução de plataformas irregulares ou sem licença no país;
- fortalecimento das regras de compliance, tributação e jogo responsável;
- aumento da fiscalização sobre produtos digitais ligados a eventos futuros.
Na prática, a decisão indica que o governo pretende tratar de forma mais rigorosa qualquer produto que funcione como aposta, mesmo quando apresentado como mercado financeiro, previsão ou negociação de probabilidades.
Para o setor, isso pode significar um ambiente mais controlado, com menos concorrência informal e mais pressão para que novos modelos digitais busquem enquadramento regulatório antes de operar no Brasil.
O debate não ocorre apenas no Brasil
O debate sobre os mercados de previsão não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, reguladores também discutem como enquadrar plataformas como Kalshi e Polymarket, gerando conflitos entre autoridades financeiras e órgãos ligados ao setor de apostas.
Esse movimento indica uma tendência global de maior controle sobre esse tipo de atividade.
Conclusão
O bloqueio de plataformas como Polymarket e Kalshi marca uma nova etapa na regulação do setor de apostas no Brasil.
Depois de enquadrar as bets tradicionais, o governo agora mira formatos híbridos, que combinam especulação, negociação digital e eventos futuros. Mais do que uma medida pontual, a decisão mostra que o país pretende estabelecer regras mais claras para produtos que funcionam como aposta, independentemente da forma como são apresentados ao público.